quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Dois livros me encontraram: "Logout" e "Um Metro de Metrô"

Tenho lá minhas crenças extravagantes quando o assunto é livro. Acredito, por exemplo que da mesma forma que procuramos, as vezes por anos, por alguns livros outros nos procuram. Da mesma forma que achamos livros, alguns livros nos acham, nos chamam, desejam nossas mãos e olhos sobre eles, um espaço em nossas estantes.

Afinal, como explicar a forma como vez ou outra encontramos AQUELE livro no meio de vários outros em uma pilha empoeirada no Sebo? Como alguns livros simplesmente saltam aos olhos entre tantos outros e nos fazem mudar nossas prioridades de leitura? A crença na capacidade de livros terem vontade própria é uma elemento fundamental da minha mitologia pessoal. Esse ano, durante a Bienal de Pernambuco, dois livros chamaram meu nome: "Um metro de metrô" do Clivson David e "Logout" do Fred Caju.


Honestamente a Bienal desse ano foi uma das feiras de livro mais frágeis que visitei na vida, por muito pouco não deixei de ir. E para chegar lá foi um Odisseia, até mesmo meus pais fizeram a pérola de sair de casa e me deixar trancada sem a minha chave. Foi preciso pedir a minha irmã ( aGárgula Escorpiana mais cheia de má vontade do Multiverso) para vim me destrancar (tive que pagar o Uber) para poder bater o cartão lá na feira junto com o Alexandre.

Voltando aos livros, quem me conhece não vai ter muita dificuldade em compreender o motivo de "Um metro de metrô" ter chamado meu nome. A experiencia de pegar o metrô tem sido muito central em minha vida desde julho desse ano. Fazer parte da população dos usuários da linha metroviária indo de Recife a Jaboatão e vice versa é sofrível, engraçada, instrutiva e desalentadora tudo ao mesmo tempo.


O livro do Clivson David expõe o cotidiano das viagens dentro desse meio de transporte através dos olhos de um jovem angustiado que esqueceu seus fones de ouvido, abre mão do seu lugar em prol de uma idosa e se instala no chão do metrô próximo a porta. Ele tenta se concentrar na leitura, lamenta a ausência do fone de ouvido e acaba mesmo sendo sugado pela observação do meio ao seu redor se deixando tomar por uma crescente onda de aflição.


Para completar, o livro ainda tem fotos tiradas e manipuladas pelo próprio autor e foi publicado pela Cérbero Editora, uma editora independente tocada pelo próprio Clivson que além de autor e editor é artista visual, grafiteiro, ilustrador, fanzineiro.


Se é fácil entender o meu fascínio por "Um metro de metrô", difícil é entender o que me atraiu em "Logout" sabendo o quanto DETESTO expressões em inglês, cujo significado quase sempre desconheço, e caju, pior pseudofruto do multiverso, tenho ranço de ambas as coisas. A culpa foi das minhas mãos e olhos, quando percebi já estava lendo e tendo a maior crise de riso dos últimos tempos.

A ideia de "Logout" é simples: Fred Caju compartilha com o leitor as mensagens que ele recebeu pela internet, sem fazer mais de quatro intervenções tendo como resultado um livro sagaz e chocante. Olhar o interior da caixa de mensagens do autor é angustiante, mas da forma como foi organizado também pode ser uma leitura engraçada. Uma pessoa humorada corre o risco de morrer de ri, embora esse não seja um livro de piadas, eu particularmente gargalhei muitooooo lendo. Morro de vergonha só de lembrar, minha reação ao ler foi para a lista daquelas lembranças vergonhosas para carregar pela vida.

Por outro lado os comentários recebido pelo Fred Caju também me deram a oportunidade de ter uma catarse movida a risos, algo muito raro vindo de mim, geralmente choro até soluçar. Também tenho fiz uma coleção comentários escrotos entre julho e outubro de 2017 e senti muita empatia com o autor que se sente impotente diante das palavras dos outros, procura receitas para se tornar mais paciente no google, musicas relaxantes no youtube para não esmurrar o computador e por fim encontrar na construção do livro uma forma de digerir a dor. Nada pode ser mais familiar a mim que digerir coisas escrevendo.


Logout também é fruto de autopublicação, Fred Caju é o editor da editora Castanha Mecânica através da qual transforma suas ideias em coisas concretas. Na page da Castanha Mecânica tem a seguinte descrição: "Literatura de Desastres & Alguma Esperança", precisava justificar  minha empatia com o autor? Essa auto-descrição fala por si!

Se você tiver curiosidade sobre os autores da uma olhada na pagina das editoras no face, também  o os instagrans: @caju.fred@clivson@cerberoeditora. O Fred Caju também tem uma pagina no tumblr "O fabuloso poemário randômico e infinito de Fred Caju".

9 comentários:

  1. Olá, tudo bom?
    Não conhecia esses livros, nem as editoras...
    Mas eu gostei bastante de ter conhecido através de você.
    Fico feliz que tenha gostado. Beijos
    5 O'clock Tea

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  2. Quando os livros nos chamam ,temos mais que seguir o impulso. Melhor ainda quando nos damos bem, como foi o teu caso! Ótimo fds! bjs, chica

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  3. Olá, Pandora.
    Já aconteceu isso comigo várias vezes, principalmente em sebos. Parece que o livro estava lá só esperando por mim. E no seu caso ainda teve a dificuldade para chegar até eles hehe.

    Prefácio

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  4. parecem muito interessantes mesmo. eu fui muito a bibliotecas gratuitas e lembro que tu não te moves de ti da hilda hilst me pegou assim tb. foi qd descobri a poeta e passei a ler suas obras. e italo calvino tb. na biblioteca do sesi, extinta infelizmente. eles tinham quase todos. li o castelo dos destinos cruzados e depois vários outros. tenho alguns aqui atualmente. beijos, pedrita

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  5. Adorei a proposta dos dois livros, ainda não os conhecia. Excelente dica!

    http://www.kailagarcia.com

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  6. Oi, Pandora!
    Adorei a ideia do Logout.
    E quanto ao chamado dos livros, acontece muito comigo é com os livros que tenho pra ler ahahahah
    Beijos
    Balaio de Babados
    Participe das promoções em andamento e ganhe prêmios maravilhosos

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  7. Olá! Tudo bem?!
    Com certeza logout entrou pra minha lista dos lereis!!!
    Passando aqui pra retribuir seu comentário lá no meu blog, desculpe a demora.
    Volte sempre!

    Bjo,
    miiistoquente ~

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  8. Oi Pandora!
    Nunca tinha visto nenhum desses livros, realmente acho que foram eles que te encontraram. Que bom que as leituras foram boas também!

    Beijos,
    Sora | Meu Jardim de Livros

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  9. Não conheço nenhum mas "Um Metro de Metrô" parece o meu tipo de livro! Falou em angústia... kkkkk a gente se identifica!
    Vai pra listinha!
    Bjss

    http://www.cafeidilico.com/

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