segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Professora...

Faz pouco menos de três meses que comecei em uma nova escola, em uma nova cidade além dos trilhos do metro. E hoje fui recebida por um abraço apertadoooo de um aluno e um confeito do outro... É claro que o dia transcorreu como costuma transcorrer, com trancos, barrancos, aulas boas, ruins e péssimas...

Mas eu chego em casa e sei que essa é profissão que escolhi, acho que sei fazer isso acontecer, mesmo sabendo o quanto também erro.

Se quiser me ver triste, muito triste, infeliz, apenas sugira de leve, de levinho, que talvez ter me tornado professora tenha sido uma péssima ideia.

De muitas formas essa é a coisa que faço por escolha, por amor e é o que me cola quando me quebro inteira. Pensar em fazer outra coisa é como ter uma lança cravada no peito.

Sou grata a todas as crianças e adolescentes que passaram pela minha vida, me ensinaram coisas que eu não sabia e me tornaram uma pessoa melhor.

Mesmo sendo incompleta, fragmentada e limitada, me esforço diariamente para ser a melhor professora que posso ser, a melhor versão de mim mesma.

domingo, 8 de outubro de 2017

O Museu do Cais do Sertão pelos olhos de quem é do Agreste/Sertão

Em Recife existe um museu chamado "Cais do Sertão" no qual,  segundo o próprio site institucional, se pretende, com recursos de tecnologia inovadores, automação e interatividade, além da leitura generosa de cineastas, escritores, artesãos, artistas plásticos, artistas visuais e músicos de todo o país, apresentar os fortes contrastes que marcam a vida nos sertões nordestinos, proporcionando aos visitantes uma experiência de imersão nesse universo.

Em Janeiro de 2017 levei minha amiga Claudinei para visitar o espaço no qual a memória de seu povo é exposta a população de Recife e Região Metropolitana assim como a dos turistas que visitam a cidade. O resultado dessa visita está escrito abaixo em um relato desconcertante da própria Claudineia:

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Androides sonham com ovelhas elétricas?


As vezes olho meus livros lidos e absurdada percebo o quanto livros lidos há de um ano atrás parecem ter sido lidos em outra vida e o quanto alguns livros lidos há anos parecem ter sido lidos ontem. Sempre acho impressionante a capacidade que algumas histórias possuem de impregnar a mente. "Androides sonham com ovelhas elétricas?" do Philip K. Dick é um desses livros impregnantes.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

As Mais Belas Fabulas, vol 1: Sempre Despertas [HQs]


Não consigo deixar de me surpreender com a resiliência de velhas histórias medievais. Algumas delas tem a capacidade de se entrelaçar na mente e no coração das pessoas e serem assim passado de geração a geração de várias formas e sendo constantemente modificados no caminho. Algumas vezes as histórias são suavizadas, outras aprofundadas, mas permanecem sendo contadas e recontadas.

Talvez por esse meu estado de surpresa contante com a resiliência dessas histórias, fiquei maravilhada quando descobrir o trabalho do roteirista Bill Willingham na série de HQs "Fábulas" publicadas pelo selo Vertigo da DC Comics. Na série ele explora os contos de fadas de diversas culturas diferentes.

domingo, 17 de setembro de 2017

Os livros são meu álcool



Livros para mim são como o álcool para os alcoólatras.
Se estou feliz, compro para comemorar.
Se estou triste, compro para purgar a tristeza.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sr. Chacal: Noite de Galo [Literatura Infantil]


As fábulas são uma das mais antigas formas de refletir sobre a vida, as atitudes humanas e seus efeitos bons ou ruins. Eu amo fábulas, tanto as clássicas quanto as que são construídas na atualidade. E em Sr. Chacal: Noite de Galo Elisa Khoury Daher transformou uma história antiga de família em uma dessas fábulas maravilhosas e fáceis de amar.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Perfuraneve [HQs]


"O Perfuraneve" foi um livro cujo lançamento me deixou instigada. Não cheguei a ver o filme, mas li várias resenhas dele e acabei adicionando a coleção. No entanto, quando ele chegou nas minhas mãos não senti impeto de ler automaticamente. Acabei deixando ele na estante esperando sua hora e sua vez.

Só quando passei a frequentar o metro do Recife ele começou a me chamar e, apesar dos seus um quilo e meio, não consegui resisti por muito tempo ao chamado. Numa bela manhã levei ele comigo para percorrer a distancia capaz de unir e separar a Zona Norte do Recife do Centro de Jaboatão. Apesar do incomodo gerado pelo peso, ler um livro cuja história se passa dentro de um metro de superfície estando dentro desse meio de transporte formou um jogo de espelhos entre realidade e ficção impossível de resistir e difícil de reproduzir.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

A Cansativa Aula de História...


As 7:30 de uma segunda-feira, pouco antes de começar a primeira Aula de História pós-feriadão, um aluno olha para mim e faz a pergunta:

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Idade da Poesia [Literatura Infantil]


O primeiro amor é sempre inesquecível! Para mim poesia e literatura infantil estão dentro do espectro do primeiro amor e quando eles veem juntos como acontece em "A Idade da Poesia" é fantástico.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

"A redoma de vidro" de Sylvia Plath


Em retrospecto, não faço ideia de como topei com "A redoma de vidro" da Sylvia Plath. Esse foi o tipo de livro com o qual me vi apegada, sem mais nem menos, presa em no congestionamento. De repente lia a Sylvia Plath sem ter ideia da tema de sua história, sem muitas expectativas e sem google ou skoob para ajudar com o sagrado spoiler.

Por sorte, de muitas formas, Sylvia Plath dispensa apresentações. Basta ler o primeiro paragrafo de seu romance para entender a força narrativa dela. Já na entrada ela te da um soco preciso no estomago e de uma vez só você descobre uma escrita limpa, uma autora confiante na capacidade de compreensão do leitor (um risco no qual atualmente poucos autores ousam correr), um conjunto de metáforas precisas e um cuidado exacerbado em não ter pressa de avançar na caminhada ou chegar a reta final.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Uma dúzia de histórias divertidas [Literatura Infantil]



"Uma duzia de histórias divertidas" é o tipo de livro que a gente ler sorrindo do inicio ao fim e quando fecha ela chega a conclusão que é muito gostoso ler um livro infantil bem escrito e bem ilustrado. Nele existe uma comunhão muito equilibrada entre texto e imagem responsáveis por fazer o leitor se apaixonar por cada história contada e se pegar rindo sozinho e viajando na leitura.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Nos trilhos do metro do Recife


Para mim o metro do Recife é uma realidade paralela através da qual somos diariamente ou ocasionalmente transportados de um canto a outro da região metropolitana. Uma vez dentro dele somos isolados do resto do multiverso, estamos em um mundo a parte. No caso do Recife é um mundo composto por pessoas quase sempre em marcha acelerada indo ou voltando do trabalho e pelas dezenas de ambulantes que tem no metro o seu ambiente alternativo de trabalho.

sábado, 19 de agosto de 2017

Entre livros...


Ultimamente ando monotemática. Meu tema batido e rebatido é livro. Vai lá, vem cá, me pego em uma livraria, entre estantes, falando do conteúdo delas. Depois de todo movimento, agitação, angústia e tudo o mais da vida docente, do transito, da família, de meus próprios bichos, o silêncio e o conforto oferecido por um livro parece ser tudo que vem a calhar.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A família de Marília [Literatura Infantil]


Marília é uma menina comum em idade escolar. Em um belo dia sua lição de lição de casa se torna escrever sobre o tema "FAMÍLIA". Uma tarefa nada fácil, afinal, quando paramos para pensar em família logo somos cercados por uma multiplicidade de sentimentos capazes de oscilar entre amparo e desamparo, compreensão e tensão, amor e também desilusão. Como diz Viviane Taubman:
"Fácil falar sobre coisas.
Difícil dizer o que sente.
Escrever sobre família
é mostrar o coração da gente."

domingo, 13 de agosto de 2017

"As pequenas virtudes" de Natalia Ginzburg



"As pequenas virtudes" foi minha primeira experiencia com Natalia Ginzburg e preciso confessar: ao longo da leitura me peguei varias vezes absurdada com a forma cadenciada e despretensiosa que ela constrói sua narrativa até chegar, quando menos esperarmos, ao ponto de arrebatar e tirar a pessoa da orbita.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Vai ver em outra vida fui um girassol...

"Vai ver em outra vida fui um girassol..."
Me ocorreu esse pensamente hoje de manhã durante o caminho do trabalho quando, propositalmente, me sentei no lado do sol para ver e sentir seu calor e luz se espalhando pela cidade.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Alí-Babá e os 40 Ladrões [Literatura Infantil]


Quando encontrei a versão infantil da história de "Alí-Babá e os 40 ladrões" no Sebo me senti diante de uma oportunidade única. O livro estava barato (R$ 2,00 golpinhos), é grande, bem ilustrado e narra um conto árabe possível de ser utilizado tanto em contação de história para crianças quanto em aulas de história sobre o mundo árabe no século dez.

domingo, 6 de agosto de 2017

The Wicked + The Divine: A Lei de Faust [HQs]


Não é novidade o quanto o tema deuses, divindades e milagres causam fascínio e encantamento. O "Pensamento Mitológico" foi a primeira forma de explicação para a realidade criada pelos seres humanos e mesmo hoje, com todos os nossos adventos tecnológicos e explicações cientificas, a figura dos deuses continua nos fascinando. O poder, a grandiloquência, a força dramática e a liberdade de expressão e ação atribuída aos deuses são imãs para a nossa atenção.

sábado, 5 de agosto de 2017

As duas primeiras semanas como professora pública e os conselhos da Rainha Branca

Educar nunca é fácil. Ajudar um ser humano a construir suas estrategias para ser, estar e enfrentar o mundo não é um exercício fácil em nenhum contexto. Por quê seria fácil em uma escola cujo público atendido é composto maioritariamente por crianças em estado de fragilidade social?


Nunca me senti tão Alice na vida. Me sinto andando no país dos espelhos onde todas as coisas são o contrário do que deviam ser e o perigo está espreitando a cada porta. Se vacilar entro na floresta e esqueço meu nome, se brincar tropeço e me perco e quando estou diante de meus alunos me sinto diante de um "frumioso Capturandam" procurando quase em prantos pela "espada Vorpeira".

domingo, 30 de julho de 2017

Formigueiro de Myrakãwéra [Literatura Infantil]


Um dos esforços da minha vida de leitora e educadora é aumentar meu acervo e arsenal de livros e histórias nas qual o protagonismo pertença aos povos indígenas e africanos. Isso ocorre não só por gosto pessoal, existe uma lei, a Lei 11.645, de 10 março de março de 2008, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de "História e Cultura Afro-brasileira e Indígena" nas escolas brasileiras e se munir desse tipo de conhecimento é um tipo de dever moral.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Nos trilhos do metro, Samuel Beckett e muita fragilidade...


Mudei de emprego. Para minha alegria e angustia precisei deixar a Educação Infantil (espero que apenas momentaneamente) e abraçar com os dois braços e exclusividade o Ensino de História. Agora trabalho em outra cidade e tenho uma vida na qual os trilhos do metro existem.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

"Mitologia Nórdica" de Neil Gaiman


Quando descobri que Neil Gaiman escreveu um livro sobre mitologia nórdica eu tinha todos os motivos do Multiverso para ler.

Por um lado, tenho um fraco por narrativas mitológicas. Gosto da forma como elas são resilientes, como mostram a força da oralidade para passar conhecimento, elas antecedem a ciência e sobrevivem a ela, mesmo não possuindo mais o status de verdade, ainda encantando e instigam. E claro, quando tudo em uma aula de história falhar, e muita coisa pode falhar em uma aula de história, uma narrativa mitológica pode salvar a lavoura.

sábado, 8 de julho de 2017

"Branca de Neve" de Jacob e Wilhelm Grimm [Literatura Infantil]


Outro dia acordei com saudades da Branca de Neve. Pois é, até eu me surpreendi, mas aconteceu. Durante a infância minha tia me deu um daqueles livros "com os melhores contos de fadas" e entre esses contos existia, claro, o da menina branca como a neve, de cabelos negros como o ébano e lábios vermelhos como uma gota de sangue.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Livro das 1001 Noites - Ramo Sírio


"As aventuras de Simbad, o Marujo" é uma das histórias mais importantes da minha vida, conheci esse conto durante a infância, li e reli várias vezes, mesmo agora ainda quero ser Sidbad. Quando descobri que ele pertencia as narrativas das "1001 Noites" quis ler tais narrativas e procurei por elas bibliotecas a dentro, mas só em meado de 2005 vi o professor Mamede Mustafa Jarouche tinha traduzido o "Livro das 1001 Noites" do árabe para o português e descobri em qual fonte buscar minha satisfação leitora.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

AohaRaido: A Primavera de nossas vidas


"AohaRaido" ou "Ao Haru Ride" é uma série de mangás em 13 volumes. Io Sakisaka é a autora e no Brasil quem publicou foi a Panini com o selo Planet Manga. Através dos 13 volumes acompanhamos a história de como a garota Futaba Yoshioka e o garoto Kou Mabuchi enfrentam os desafios e delicias de atravessar a adolescência lindando com traumas familiares, vida escolar, amor e amizade.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Não há palavras para tudo... [Citação 013]

"Não é verdade que há palavras para tudo. Também não é verdade que sempre se pensa em palavras. Até hoje há muitas coisas que não penso em palavras, não as encontrei, não no alemão do vilarejo, não no alemão citadinho, não no romeno, não no alemão oriental ou ocidental. E em nenhum livro. Os meandros interiores não coincidem com a linguagem, eles nos levam a lugares onde as palavras não podem permanecer. Muitas vezes é o decisivo, sobre o que não se pode dizer mais nada, e o impulso de falar a respeito é bem-sucedido porque ele passa ao longe. A crença de que falar destrincha os emaranhados só conheço do ocidente. Falar não concerta nem a vida no milharal e nem aquela sobre o asfalto. Também só conheço do ocidente a crença de que não se pode suportar o que não tem sentido." (Herta Müller)

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Solar: História de Origem [HQs]


Um das minhas paixões literárias mais brilhantes é a tal da História em Quadrinhos, desde criança tenho vontade de ter uma coleção gigante de HQs, mas preciso confessar: nos meus sonhos a coleção era feita de mangás. Só nos últimos anos comecei a olhar com afeto para o formato ocidental e passei a colecionar Graphics Novel, Marvel, DC e os autores nacionais.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Peter Pan de J. M. Barrie [Literatura Infantil]

  
Se eu tivesse me auto-desafiado a ler e resenhar clássicos da literatura infantil e contos de fadas em 2017, não estaria lendo e resenhando com tanta frequência esses gênero. Como não me auto-desafiei, aqui estou para comentar mais um clássico da literatura infantil.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Princesas, Bruxas e uma Sardinha na Brasa [Literatura Infantil]


Sou apaixonada por contos de fadas, tanto por pura paixão literária quanto por todo potencial didático que o gênero contém em si. Além de seu potencial lúdico, sendo textos gostosos de se ler, também guardam em si muitos dos valores culturais das sociedades que os criaram e portanto são ótimos instrumentos para provocar debates e nos fazer pensar e repensar a vida.

domingo, 7 de maio de 2017

Monstro do Pântano: Raizes [HQs]


Encontrei com o vol. 1 da HQ "Monstro do Pântano: Raízes" integrante da coleção "Clássicos DC" na banca onde costumo comprar mangás e por muito ter ouvido falar desse personagem resolvi aproveitar a oportunidade de conhecer as origens do personagem pessoalmente e adorei.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Sense8 - Primeira Temporada


Não sou uma pessoa muito afeita a assistir séries, fazer maratona vendo milhares de episódios por dia e coisas do gênero. Apesar de ter interesse em várias produções, raramente me pego vendo alguma coisa, hoje, até mesmo ver filmes é uma atividade rara para  mim. Quando alguém questiona o porquê de ter assinado um serviço como a Netflix geralmente eu respondo: tenho irmãos e enquanto eles vem coisas eu fico em paz para ler.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Citação 012 [Ícaro]

Ícaro do Recife. Monumento a Sacadura Cabral e Gago Coutinho na Praça 17 no centro do Recife.
"Ícaro! Não é que tenha esquecido de todos os nomes. Lembro-me de Ícaro. Voou próximo demais do sol. Entretanto, nas histórias, valeu a pena. Sempre vale a pena tentar mesmo quando falhamos, mesmo que você entre em eterna queda livre como um meteoro. Melhor ter ardido na escuridão, ter inspirado outros, ter vivido, do que ter ficado sentado nas trevas, amaldiçoando aqueles que tomaram emprestado sua vela e não a devolveram." (Neil Gaiman, em "O homem que esqueceu Ray Bradbury do livro "Alerta de Risco")
Quando Neil Gaiman resolve escrever para homenagear Ray Bradbury, o incrível autor de Fahrenheit 451 não podia da em nada menos que um daqueles textos incríveis de fazer chorar sozinha ou na companhia serena do gato.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Vazia...

Houve uma época na qual eu me sentia mais preenchida, então era mais fácil escrever. Agora me sinto meio vazia então é mais difícil simplesmente chegar e transformar ideias em palavras, frases, parágrafos inteiros.

As vezes também me ocorre de pensar sobre a correção das palavras, dos sinas, da pontuação, da concordância, coesão, coerência etc e isso me afasta mais ainda dos exercícios de escrita.

Sempre me embananei com pontuação, erres, esses, cedilhas e o escambau. Sempre fui de cometer erros de fazer rir e chorar, porém nunca antes minhas deficiência de escrita pesaram tanto. Nem mesmo quando eu escrevia páginas e páginas a mão nas provas imensas do curso de história.

Nessas provas era convidada a dissertar sobre isso e aquilo a luz desse e daquele autor e minha compactor 07 deslizava sobre o papel pautado com uma fúria deliciosa. Eu tinha confiança, amava aquelas provas imensas que demoravam quatro horas de relógio para serem construídas... Hoje me pergunto se seria capaz de fazer esse tipo de coisa e duvido seriosamente.

Eu também já fui amiga das cartas longas... muito longas... páginas e páginas... Nunca fui econômica com nada na vida então não via motivos para economizar palavras e escrevia e escrevia... Faz tanto tempo que não escrevo uma carta que já me causa vergonha. Faz nove meses que tento escrever uma carta para uma amiga e não consigo... escrevo uma página e jogo fora então recomeço... e recomeço... parece mentira, mas é verdade... já tive que comprar um caderno novo porque o esforço dessas reescritas levou um embora.

As vezes acho que perdi a segurança e a substancia... Ainda escrevo resenhas, mas só Deus sabe quanto trabalho cada paragrafo demanda... E o quanto olho as resenhas publicada sentindo que faltou algo e me perguntando o quanto o editor precisou intervir para o texto não ficar de dar vergonha alheia ou vergonha minha.

Eu tento me preencher das coisas aqui e ali, não perco chances de viver uma experiencia nova e quando ela surge vou lá viver... ver... andar... ler... provar... mas as vezes pareço um poço sem fundo. Nada me preenche completamente e o fluxo das palavras no papel, no blog, nos cadernos, nas cartas não anda e me sinto em divida e vazia...

Se isso for um tipo de fase, que fase difícil que é!

Digo a mim mesma "isso também passa", mas tenho dificuldades de me ouvir. Me pego, aliás, descobrindo fascinada o encanto de não ouvir minha própria voz... Uma sensação estranha para quem fala sozinha.

E sim, esse é um daqueles textos confusos que uma pessoa em sã consciência não publicaria, mas eu não mantenho um blog há tanto tempo para posar de pessoa com sã consciência.

Preciso desabafar! Estou desabafando, afinal o silêncio nunca me ajudou a tomar decisões e quebrar a banca. Sou do tipo que precisa gritar, nunca se sabe se alguém está passando pela beira do poço e de repente... sei lá o que pode ocorrer de repente... 

domingo, 26 de março de 2017

Jonas e o Circo Sem Lona


Por esses dias a Tina, que conheci através do Blog da Tina, me contou através das redes sociais a respeito do filme-documentário "Jonas e o Circo Sem Lona" em cartaz no Cinema São Luiz. Obviamente não me permitir perder a chance de ir e, como a experiencia foi significativa, também não me permito deixar de fazer um registro.

O documentário aborda como Jonas, um adolescente cuja família nasceu e cresceu no circo, porém decidiu deixar a lona e seguir outro rumo. Ele simplesmente não se adapta a essa vida sem circo, então, estimulado por seu desejo e apoiado pela avô, decide montar um circo no quintal de casa junto com seu grupo de amigos.


Ao longo do filme nós acompanhamos a experiencia mágica do Jonas de criar e administrar seu circo no quintal em meio ao banho de água fria do cotidiano vivenciado no subúrbio de uma grande cidade colonial.

Nos subúrbios as mães conscienciosas como a do nosso garoto sabem que crianças não podem ser entregues unicamente ao luxo de viver seus sonhos, elas precisam bem cedo encarar as realidades da vida, como por exemplo a necessidade urgente de obter o máximo de educação escolar possível. Toda a rotina vivenciada pelo menino e sua família me foi muito familiar, eu me senti em casa na verdade.


É comovente acompanhar a luta da mãe do garoto para prover sua família e manter Jonas na escola regular. Ela parece está constantemente nadando contra a maré dos desejos dela e dele, mas permanece firme na direção que considera a melhor possível para ele.


É desamparador perceber o quão infeliz o menino é na escola que não desperta nele interesse algum. A educação escolar para ele é um grande blá blá blá sem utilidade muito clara e, naturalmente, ele vira as costas para a escola. Aliás, acho compreensível uma criança/adolescente não compreender a importância da escola ou o quanto ter acesso a ela é um direito duramente conquistado e não uma imposição difícil de suportar. Porém, é muito irritante ver educadores não compreenderem a importância de crianças como Jonas para a escola e simplesmente optarem por carimbar ele com um "não é exemplo para ser seguido".

É muito forte o momento no qual uma das educadoras da escola convida a cineasta para ter uma conversa sobre o Jonas. É triste como o menino por não ter interesse pelos conteúdos escolares é desqualificado por ela. Também acho pesado sobrecarregar adolescente ou crianças com bom desempenho escolar como "exemplos a serem seguidos".

Sempre penso que a crianças e adolescentes deviam ter liberdade para SER e PONTO. Unicamente SER já devia bastar e Jonas É. Só isso já faz dele um personagem e tanto.

O filme está em cartaz até 29 de março nas principais capitais!


quinta-feira, 16 de março de 2017

Pequeno dialogo...


Hoje, sentada nos bancos de pedra do espaço próximo a piscina onde venho praticando natação, olhei para minha companheira de aula e disse:

"Sinto que a melhor parte da minha rotina atualmente é sentar aqui depois da aula nesse vento com essas árvores."

 Ela respondeu:

"É a melhor parte da minha também."


Só queria registrar isso mesmo...

quinta-feira, 9 de março de 2017

A copa das árvores: uma nota sobre gratidão


Estou apaixonada pela experiência de sentar em um banco de pedra, olhar para cima e observar a copa das árvores e o azul do céu além delas.

Quando o vento ou a briza passa e bate em mim, nas folhas, nos galhos e em tudo o mais sinto uma gratidão por tudo e por nada.


Nesses momentos sinto uma alegria tranquila por existir, uma sensação de equilíbrio no meio do meu desiquilíbrio cotidiano.

Estando assim, nesse animo sereno, um pé dentro e outro fora do devaneio, é muito fácil acreditar na probabilidade do milagre, da magia ou até evolução humana. Quem sabe o que raios esses ventos carregam ou quais segredos as árvores sussurram através de suas folhas?!?!?

domingo, 5 de março de 2017

"Onde cantam os pássaros" de Evie Wyld


Ler "Onde contam os pássaros" da Evie Wyld é experiencia inusitada tanto por não ser narrado de forma linear como por contar uma história cheia de violências sem apelar para o drama. As armas que a Wyld usa para conta a história de uma criadora de ovelhas mistérios foi o lirismo suave diluído em texto que mesmo não linear se mostrou de fácil compreensão.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Agreste...


Reza o dicionário que Agreste é uma palavra que vem do latim agrēstis podendo ser utilizada como um adjetivo de dois gêneros e também um substantivo masculino. O adjetivo se refere aos campos; silvestre, selvagens ou o que contraria convenções citadinas; não cultivado, rústico, caracterizado pela aspereza, rigor, grosseria. Já o substantivo masculino se trata de uma zona fitogeográfica do Nordeste do Brasil, próxima ao litoral, entre a mata e a caatinga, de solo pedregoso e vegetação xerófila.

Nesses dias de Carnaval a Região fitogeográfica Agreste situada no estado de Pernambuco foi meu destino e pelo muito que amo essas terras de campos áridos, rústicos, ásperos e rigorosos sempre fico tentada a não deixar esses momentos passarem sem um registro.


Não é que eu não ame Recife, eu amo, mas além do litoral, longe da influência do mar tudo é tão diferente... Da forma como o sol esquenta nossas cabeças ao chão no qual pisamos, tudo é outro mundo. Um mundo mais solido no qual a areia da lugar a rocha e as pessoas parecer ser mais fortes e mais resilientes feitas de uma fibra mais difícil de ser romper, uma fibra agreste.


É difícil até escolher palavras para falar das pessoas do Agreste e do Sertão, pois vivendo no limite entre o muito pouco e o quase nada elas conseguem receber quem chega com uma generosidade difícil de acreditar.


Atualmente o interior do Nordeste enfrenta talvez a maior seca dos últimos cinquenta anos... É uma situação terrível, não só as plantações minguam como o gado seca ao sol. Ao longo das estradas não é raro encontrar carcaças de bois e bezerros secando a míngua. Qualquer que seja a crise que os habitantes da cidade passem nos últimos tempos me parece que lá é pior e mais difícil, mas incapaz de tirar a capacidade dessas pessoas de acolher quem chega com sorrisos, abraços e histórias.


Vez ou outra Claudineia me arrasta para visitar o povo dela e invariavelmente me emociona a forma como sou recebida, acolhida e respeitada. Nunca deixo de me impressionar como, mesmo envolvidas em um tecido de dramas, dificuldades e escassez, as pessoas não esquecem de serem gentis, acolhedoras e honestas em seus afetos.

Mais uma vez minhas andanças por esse mundo do Agreste beirando o Sertão foi repleta de aprendizados, abraços, sorrisos e bons momentos... Só agora mesmo, repassando as lembranças das nossas aventuras, analisando os momentos, não encontrando palavras adequadas para descrever as coisas e me perguntando o quanto esse post vai ficar sem um sentido claro, me bate vontade de chorar...


O Agreste, com sua natureza árida e pessoas fortes, consegue ser didático e lúdico ao mesmo tempo. São das coisas que abraçam enquanto ensinam sobre a importância de não cair e desmontar ou sobre como vez ou outras nós precisamos inventar truques para enganar a dor enquanto esperamos a próxima chuva no meio da maior seca de nossa história.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá

Alguns livros são tão incríveis e exercem sobre nós um fascínio tão grande que uma leitura não basta. É como se eles tivesse voz e desejos próprios e de tempo em tempo simplesmente nos chamam para voltar e desesperadamente precisamos ir lá e reler por pura necessidade existencial.


"Aventuras de Alice no País das Maravilhas" e "Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá" se encontra entre os livros que mais tenho relido nos últimos 15 anos e por incrível que pareça sempre me pego achando uma coisa diferente da que achei antes. Invariavelmente tenho concluído a leitura do texto do Lewis Carroll dizendo: "Agora eu entendi a história!", para depois de 2, 3 ou 5 anos reler e dizer: "Nossa! Como isso estava aqui e eu não vi?".


Não sei se os livros são possuidores do dom da transmutação ou se as pessoas se transformam através dos anos, talvez sejam os dois, livros e humanos, seres em constante processo de mutação. Quando mergulhei com Alice na "Toca do Coelho" rumo ao "País das Maravilhas" e "Através do Espelho" pela primeira vez senti uma aflição terrível. Tudo nos livros tinha tons de pesadelo, ninguém parecia dizer coisa com coisa, todos respondiam com perguntas... Nossa, quão grande foi meu alivio quando vi a menina acordar! Me senti acordando com e ela e decidi voltar a ler novamente sem a aflição de não saber se aquilo era real ou não.

Incrível como a gente se engana nessa vida! Viajar pelo Mundo das Maravilhas e Através do Espelho sem aflição não existe e não teria a minima graça. Se for para não me sentir aflita com as questões existenciais propostas pelos personagens é melhor nem ir.

Essa nova leitura da obra de Lewis Carroll colocou em grande evidencia para mim o quanto ele era critico a uma educação escolar meramente informativa. Enquanto cai na "Toca do Coelho" Alice tenta rememorar as coisas aprendidas na escola, informações enciclopédicas empurradas nela goela adentro, e mostra o quanto tentou digerir tudo e quão poucos resultados trouxeram esse esforço. Indo de encontro a forma como a educação infantil funcionava em meados do século XIX os habitantes do "País das Maravilhas" não empurram em Alice formulas e informações prontas, eles questionam, instigam e empurram a menina para o caminho da experiência.

Geralmente quando temos uma criança sob nossa tutela a sanidade nos leva a oferecer a ela orientações muito precisas, baseadas em nossas experiencias, de como ela deve agir ou não para obter sucesso. Porém, as pessoas com as quais Alice se encontra no mundo além da "Toca do Coelho" são loucas, elas não tem resposta nem para suas próprias charadas quanto mais para as da menina! Para aprender ela precisa encontrar pessoas, experimentar, caminhar, desbravar, ouvir, falar, correr, recitar as poesias...


Também é imperativo falar dos encontros da menina com os habitantes do estranho mundo no qual ela cai. A começar pela exótica Lagarta com seu narguilé que não pergunta: "Qual seu nome?", mas "Quem é você?". Em um dia normal essa já não é uma pergunta das melhores, imagina em um dia no qual você diminuiu, cresceu, falou com animais, foi confundida com outra pessoa, foi pra lá e pra cá meio sem rumo em um lugar desconhecido? Difícil! Alice se enerva, quer ir embora, da meia-volta, MAS a Lagarta não deixa:
"Volte!"chamou a Lagarta. "Tenho uma coisa importante para dizer!"
 A menina se vira e volta para ouvir:
"Controle-se", disse a Lagarta.
Já perdi as contas de quantas vezes na vida precisei me controlar para encontrar alguma ajuda para um problema difícil. No entanto, quando a Lagarta disse isso, fiquei na duvida entre chorar ou rir. Gente, isso é trolagem pura! Todos os outros encontros da criança parecem ser pontuados por esse tipo de sacanagem

Na frente da casa da Duquesa, Alice pergunta ao Lacaio: "Como faço para entrar?". O danado simplesmente tasca nela um: "Mas, afinal, você deve entrar? Essa é a primeira pergunta." Ela se irrita, resmunga e tudo e tal e pergunta: "Mas o que devo fazer?". Ao que ele responde: "O que quiser...". Junto com o fabuloso Gato de Cheshire, com o querido Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março, o Lacaio com cara de sapo está no roll dos meus personagens favoritos.


Ainda sobre o roll dos personagens favoritos preciso reafirmar o quanto acho sensacional o dialogo de Alice com o Bichano de Cheshire:
"Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?"
"Depende bastante de para onde quer ir", respondeu o Gato.
"Não me importa muito para onde", disse Alice.
"Então não importa que caminho tome", disse o Gato.
"Contanto que eu chegue a algum lugar", Alice acrescentou a guisa de explicação.
"Oh, isso você certamente vai conseguir", afirmou o Gato, "desde que ande o bastante." (pag. 76/77)
Novamente não sei se é para rir ou chorar... Depois dessa só posso deixar registrado que o esforço da minha vida consiste em andar o bastante.

E o que fazer quando a gente escuta/ler o Chapeleiro falando do Tempo?
"Se você conhecesse o Tempo tão bem quanto eu falaria dele com mais respeito." (pag. 84)
Estou a trinta anos convivendo com o Tempo e cada ano tenho por ele mais respeito. Ele não é linear, constante ou medido tão facilmente quanto o relógio comum faz supor que seja. É conveniente acreditar que um dia tem 24 horas e um ano 365 dias, mas quem viveu suficiente sabe o quanto há anos que não cabem em um dia e dias que não cabem em um ano. Há eternidades que acabam em segundos e segundos que duram uma eternidade.


Apesar de ter a impressão de todos os habitantes do País das Maravilhas serem confusos e pouco dado a respostas fáceis, também tenho a sensação de não existir um senso de perigo no mundo abaixo da Toca do Coelho ou uma urgência na viagem feita pela menina. Bem diferente da trajetória dela "Através do Espelho", durante essa leitura se impregnou em mim uma sensação de insegurança profunda.


No "Outro Lado do Espero" a criança mais obtêm ajuda, pessoas para caminhar com ela e menos perguntas isso tudo parece existir para equilibrar um perigo real sempre a espreita. Alice parece correr o risco constante de se perder até mesmo de si mesma. Lembrei muito do mundo do "Outro Lado da Muralha" criado por Neil Gaiman que aparece em obras como "Stardust: o mistério da estrela" e "Os livros da magia" entre outros. No mundo invertido do espelho é possível encontrar personagens lendárias tradicionais saídos do folclore inglês seus contos populares, poesias e canções. Ela ainda precisa entrar na floresta e enfrentar trilhas perigosas para sua memória e identidade.


Gosto muito das considerações da Rainha Vermelha:
"... você tem que correr o mais que pode para continuar no mesmo lugar. Se quiser ir a alguma outra parte, tem de correr no mínimo duas vezes mais rápido!" (pag. 186).
"... lembre-se de quem você é." ( pág. 188)
Só Deus sabe o quanto uma vez dentro de uma floresta pode ser fácil esquecer quem se é ou seder a tentação se deixar seduzir pessoas e situações prontas a nos levar a esquecer nosso nome, origem, desejos e sonhos. Existe alguém que vez ou outra não foi convidado a barganhar qualquer parte de si em troca de uma ninharia e precisou se agarrar em um amigo tal como Alice se agarrou na Corsa para atravessar o bosque "em que as coisas não tem nome"?

E se eu gostei da Rainha Vermelha novamente me apaixonei pela generosa Rainha Branca. Quando Alice se desespera ela não oferece consolos vãos, doces ou ilusões, simplesmente diz:
"Considere a menina grande que você é. Considere a longa distância que percorreu hoje. Considere que horas são..." (pág. 227)
Não é sem motivos que o Gato questiona Alice em relação a quem ela é. De muitas formas, em momentos de desespero, o que nos salva é a possibilidade de considerarmos quem somos. Aliás, também acho delicioso o fato da Rainha Branca colocar em evidencia a distância percorrida, até mesmo as horas.


Desse encontro também destaco as coisas faladas a respeito de acreditar no impossível:
Alice riu. "Não adianta tentar", disse; "não se pode acreditar em coisas impossíveis.""Com certeza não tem muita prática", disse a Rainha. "Quando eu era da sua idade, sempre praticava meia hora por dia. Ora algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã..." (pág. 227/228)
Sei o quanto esse texto já está quilométrico, mas ainda gostaria de destacar o encontro da Alice com a Ovelha e o Unicórnio, pois ambos disseram coisas sobre as quais me pego pensando com constância.
"Pode olhar para a sua frente, e para os dois lados, se quiser", disse a Ovelha, "mas não pode olhar para tudo a sua voltar... a menos que tenha olhos na nuca." (pág. 230).
"Bem, agora que nos vimos um ao outro", disse o Unicórnio, "se acreditar em mim, vou acreditar em você..." (pág. 264).
Por todos os motivos aqui citados, e outros tantos não citados, só posso concluir esse texto gigantesco reafirmando meu amor pela obra de Lewis Carroll e meu desejo de continuar sendo um pouco Alice na vida. Ainda quero forças para consegui seguir o Coelho Branco, mergulhar na toca, chegar um mundo de maravilhas ou encontrar uma forma de ir através do Espelho para um mundo invertido perigoso mas cheio de pessoas generosas capazes de ajudar qualquer um a acreditar em si, no seu nome e na possibilidade do impossível.

Ah, fiz a releitura desse clássico em conjunto com o Alexandre do blog #DoQueEuLeio. Clique AQUI para conferir a resenha dele, bem mais sintética que a minha.